Eu e Remo voltamos a nos falar direito, o que é
bom sim, bastante. Tenho evitado contato visual com Ani desde que fiquei
sabendo que ela tinha terminado com ele. Não quero encrenca, e estou feliz com
meu amigo... Mas falta sim, eu não me sinto bem de verdade e, sei lá, eu acho
ela uma gracinha. Mas não, agora estou com a Benki... Beijo, abraço, faço
cafuné e transo quando quero. Ela é fofa também, só é difícil quando ela bebe,
o que não é raro. A gente tá com oito garrafas de vodka roubadas, bebendo com
amor. É, sim sim, com amor... Beber deixa todo mundo meio amoroso. Até mesmo os
que ficam violentos, é uma violência apaixonada. Estamos rindo, menos Ani,
reparei que ela tá meio pra baixo. Isso não importa muito, né? Não pra mim...
Pelo menos não devia. O Japa tá no meio da roda, mais bêbado que os outros. “THIRSTY
AND MISERABLE ALWAYS WANTING MOOORE” ele grita, numa voz forçada. “Olha só, olha só, sou o Cadena!” e
voltava a cantar terrivelmente mal. “HAHAHAHAHA, Acho que aí era o Reyes, não?”
ouvi o Remo dizendo, Japa deu de ombros e cantava mais, batendo cabeça e
pulando no meio da roda. Eu levantei e fui pular com ele. A gente se batia,
cotovelada e joelhada, só de brincadeira mesmo, tava divertido. Subiram mais o
Remo, o Pepê e o Koda, todo mundo se batendo loucamente enquanto cantava sem
instrumentos de fundo músicas aleatórias do Black Flag, Against Me!, Sin Dios e
Adolescents. É bom o suor escorrendo. Choveu muito nos últimos dois dias, mas
hoje ainda não caiu uma gota, pelo menos não na Esplanada. As meninas riam
loucamente, e os que passavam por ali estranhavam e ameaçavam chamar os porcos.
Ah, malditos... Ninguém aqui precisava de problema com a polícia, sabe? Paramos
depois de dois minutos, todos rindo e caindo no chão, com a anarquia ainda
fluindo. Dei mais uns goles e de repente uma voz atrás de mim “Mônica?” Ani
estava encarando quem quer que tenha dito isso, meio estática. Olhei para trás
e tinha um cara alto, meio magro assim, cabelo pintado e tatuagens na perna e
nos braços. “Você deve estar me confundindo com alguém.” O cara lá riu e
balançou a cabeça “Nah, é você sim, Mônica. Sumiu, ein?” Eu não tava entendendo
porra nenhuma, levantei e fiquei de frente para ele, mais ou menos da minha
altura. “Cara, não tá vendo que não é ela? Sai daqui, porra, não enche.” Ele
simplesmente se desviou de mim e foi até ela “Ô garota, você é idiota?” Deu um
chute de leve nela, pra chamar a atenção... Ani levantou de súbito, meio puta
da vida. “Olha aqui, Mateus, vai embora, tá? Isso não tem nada a ver contigo.”
Ele riu, riu de tipo deboche mesmo. “Ai ai, coisa, foi porque não te comi?” Vi
as bochechas da pequena ficando vermelhas e ela puxou o cara pelo braço. Remo
me encarava, parecia um pouco atacado com alguma atitude minha, só percebi que
ele estava de pé também quando Ani e seu amiguinho se afastaram. O cara parecia
implicar com ela de alguma forma, debochando, ela agora parecia rir... Os dois
foram se afastando. Coisa esquisita, estranha mesmo. Mônica? Koda começou a
rir, aquela figura estranha de cabelo azul, o rosto redondo ficava vermelho
quando ele ria... É algo engraçado de se ver, comecei a rir por isso. “MÔNICA?
HAHAHAH O nome da Ani é Mônica?!” Ele ria de rolar no chão, aquele chão imundo.
Benki ria deliberadamente também, demonstrando o quanto não gostava de Ani – ou
melhor, Mônica. “Cara...” eu rio também, não sei, é engraçado mesmo. Nunca
conseguiria imaginar que o nome dela fosse Mônica! Remo se retirou, meio
emputecido. Não entendi. Achei melhor não o seguir. Estamos rindo aqui agora:
Eu, Benki, Koda, Pepê, Japa e Carmina. Essa última apenas sorria divertida,
como se soubesse mais que a gente.
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