Minha cabeça está girando, acho também que
estou com febre... Sabe quando você abre os olhos e vê um monte de nada?
Tipo... Tudo embaçado, figuras indecifráveis... – Remo? – A voz é perto demais,
dói minha cabeça. – Que foi, Benki? – Tento focá-la, mas só consigo enxergar um
vulto contra o sol. – Remo... Acho que estou grávida. – Ela diz, virando-se
para vomitar. – Não, você não tá grávida... Esse vômito é só o cachorro-quente
de ontem. – Eu rio debochado, virando-me para esquerda e vomitando também. –
Merda... – Ela se senta ao meu lado, encarando o chão. – Eu acho que eu queria
estar. – Eu fecho os olhos. Tudo escuro é melhor. – HAHAHA, Quem seria o pai? –
Meu estômago dói. – Ninguém. Meu filho só teria mãe. – Abro os olhos só para
revirá-los. – Deixa de ser idiota, não é bom crescer sem pai. – Tardes e
tardes... Nunca tive pai. Benki se levanta, acho que já está bêbada...
Impressionante, mal começa o dia e ela já está assim, cambaleante. “O
Ministério da Saúde adverte: droga mata.” Drogas... Eu uso algumas. Drogas
matam. Minha cabeça latejando, estou suando frio. Socorro. Branco total. [...] –
Remo?? – Sinto água no meu rosto. – REMO?! Acorda! – A voz de Carmina, sua mão
em meu rosto, batendo na minha cara de drogado moribundo. – Carm... Carmina? –
Ela me abraça, não entendo. Eu desmaiei? O que escorre no meu rosto é vodka,
não água. Arde. – Você tem que parar de usar heroína. – Ela me entrega meu
kitzinho. Eu injeto... Ar fresco, nenhuma dor. Fecho os olhos novamente só para
presenciar o prazer que é a minha injeção. – Você comeu a Ani? – Parece o Koda.
– É bom? – Eu só ouço por fora... Meu interior é puro êxtase. Êxtase. Êxtase...
Sinto falta do Alex. É a verdade: eu sinto falta do Alex. As lágrimas agora me
escorrem a face, contra a minha vontade. Meu interior diz isso, rindo de mim, “imbecil,
você sabe que o ama”. Agora choro como um bebê. Um bebê muito idiota. – Ani...
Eu quero a Ani... – Sinto os braços dela ao meu redor. – Vai ficar tudo bem,
Remo... – Ela beija minha testa. São apenas sensações, não enxergo muito.
Tristeza, dor emocional, tudo em meio a um orgasmo de heroína. – Vai se foder,
Koda, sai daqui! – Ela grita... Estressada. Ele deve ter falado alguma merda. E
eu choro. – Ele não podia ter ido embora... – Choro, choro. Meu amigo, sim. O
melhor que já tive. Meu brati se foi.
Nenhum comentário:
Postar um comentário