sábado, 13 de outubro de 2012

Décimo dia, quarto mês, ano 2009 – Lá pelas nove e meia da manhã.


Minha cabeça está girando, acho também que estou com febre... Sabe quando você abre os olhos e vê um monte de nada? Tipo... Tudo embaçado, figuras indecifráveis... – Remo? – A voz é perto demais, dói minha cabeça. – Que foi, Benki? – Tento focá-la, mas só consigo enxergar um vulto contra o sol. – Remo... Acho que estou grávida. – Ela diz, virando-se para vomitar. – Não, você não tá grávida... Esse vômito é só o cachorro-quente de ontem. – Eu rio debochado, virando-me para esquerda e vomitando também. – Merda... – Ela se senta ao meu lado, encarando o chão. – Eu acho que eu queria estar. – Eu fecho os olhos. Tudo escuro é melhor. – HAHAHA, Quem seria o pai? – Meu estômago dói. – Ninguém. Meu filho só teria mãe. – Abro os olhos só para revirá-los. – Deixa de ser idiota, não é bom crescer sem pai. – Tardes e tardes... Nunca tive pai. Benki se levanta, acho que já está bêbada... Impressionante, mal começa o dia e ela já está assim, cambaleante. “O Ministério da Saúde adverte: droga mata.” Drogas... Eu uso algumas. Drogas matam. Minha cabeça latejando, estou suando frio. Socorro. Branco total. [...] – Remo?? – Sinto água no meu rosto. – REMO?! Acorda! – A voz de Carmina, sua mão em meu rosto, batendo na minha cara de drogado moribundo. – Carm... Carmina? – Ela me abraça, não entendo. Eu desmaiei? O que escorre no meu rosto é vodka, não água. Arde. – Você tem que parar de usar heroína. – Ela me entrega meu kitzinho. Eu injeto... Ar fresco, nenhuma dor. Fecho os olhos novamente só para presenciar o prazer que é a minha injeção. – Você comeu a Ani? – Parece o Koda. – É bom? – Eu só ouço por fora... Meu interior é puro êxtase. Êxtase. Êxtase... Sinto falta do Alex. É a verdade: eu sinto falta do Alex. As lágrimas agora me escorrem a face, contra a minha vontade. Meu interior diz isso, rindo de mim, “imbecil, você sabe que o ama”. Agora choro como um bebê. Um bebê muito idiota. – Ani... Eu quero a Ani... – Sinto os braços dela ao meu redor. – Vai ficar tudo bem, Remo... – Ela beija minha testa. São apenas sensações, não enxergo muito. Tristeza, dor emocional, tudo em meio a um orgasmo de heroína. – Vai se foder, Koda, sai daqui! – Ela grita... Estressada. Ele deve ter falado alguma merda. E eu choro. – Ele não podia ter ido embora... – Choro, choro. Meu amigo, sim. O melhor que já tive. Meu brati se foi.

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