sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Primeiro dia, terceiro mês, ano 2009. – Meia noite em ponto.


- PARABÉÉÉÉÉÉÉÉNS PRAAAA VOOOOOOOOOCÊÊÊ, NEEEESSA DAAAAAAAATAAAAA QUEEEEERIIIIDAAAAAA. MUITAS FEEEEEEEEEEEEEELIIIICIIIIDAAAAAAAAADEEEEEEEES, MUITOS AAAAAAAAAAAANOOOOOS DEEEE VIIIIIIIIDAAAAAAAAAA!! – Um coral bêbado e chapado, é como isso se descreve. Eu mesmo estou loucaço, admitido e feliz. – Quantos aninhos, Ani? Treze?! – Ela me dá um soco no ombro, risonha, mesmo que ainda triste com o fato do rapagão lá ter ido embora. Diverte-se como nunca. – Caale a boca, Remo. Tá mais que na hora de assumir que sabe minha idade! – Dou de ombros, bebendo mais um gole da Orloff que roubamos para a ocasião especial. – Necas de pitibirabas, como dizia mamãe. Você é novinha dos treze. – Benki tá com a marafa, observo-a puxar e passar pro Japa. Alucinada, bebeu além da conta... Como sempre. Carmina está ao meu lado, acariciando-me os cabelos. Japa tá brincando com a aniversariante e os outros dois caras sumiram, devem ter ido arranjar o pó. Tem uns trafikes maneiros por aqui, eles têm de tudo, o bagulho vem de fora, coisa fina. A gente tem desconto pelos trabalhinhos que prestamos por aí também... Perco-me no tempo, pensando na heroína. Deixei tudo guardadinho ao lado do meu cobertor, aqui todo mundo respeita, ninguém mexe não... Eu tou querendo mesmo é a picadinha. Se eu não tivesse chapado, até me picava, mas deu uma moleza do caralho agora. Sentado no chão, encostado no Museu. – SEGURA A BENKI!! – Ouço as vozes ao longe. Que sono... – A BENKI! SEGURA ELA!! REMO, AJUDA AQUI! – Meus olhos se abrem, vejo uma garota branca, magra, correndo com os peitos pra fora, rindo. – Benki, pare... – Não quero me levantar. Começo a passar mal... – Ani... – Ela está mais perto, olha para mim. – Pega minhas coisas, preciso da picada. – Ela me encara, meio sombria, reprovando, se retira. Vadia! Sabia que não podia contar com ela, vagabunda escrota... Minha cabeça dói. A minha visão embaçada agora só capta a mocinha à minha frente, Ani. – Toma aqui o seu lixo. – Fala com desprezo, mas beija-me a testa antes de ir. Sei porque a sinto meio úmida. Talvez seja o suor, eu a seco... É tudo muito rápido, essas coisas são todas muito rápidas. Amarrei meu braço, minha boca só tem força para puxar o elástico que consegui no Hospital de Base outro dia. O pozinho na colher, acendo o isqueiro e o meu liquidozinho orgástico está pronto. Tudo muito rápido... A seringa enfiada na minha veia, meu sorriso espontâneo após o prazer. Ah, mas que prazer... Tenhamos um orgasmo multiplicado por infinito e prolongado por meia hora ou mais. Eis aqui o que sinto... – BEEENKI, SUA IMBECIL, VESTE ESSA CAMISA! – A voz da Carmina mais distante ainda... – Deixa ela assim, Carmelinda! Adoro essas tetinhas HAHAHA – Koda rindo, rindo e rindo e gargalhando e tentando agarrar a Benki. Eis os lapsos. Alucino, alucino muito. Tem alguém ao meu lado. – Dá uma picada, cara... – Japa olha pra mim, eu o encaro de volta, sorrindo. – Po, cara... Po... O que é meu é seu, cara... – Dezesseis anos, aah, que jovenzinha essa Ani, ela devia ir dormir... Como eu fui. Pena que meu sono não é sono.

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