domingo, 9 de setembro de 2012

Vigésimo segundo dia, segundo mês, ano 2009. – Duas da tarde e minutos além.


“Meu chudesni brati... Sentirei vossa falta. De certo, soarei como shom ao govoretar o tanto que morrerei de shilarnia contigo, e você não precisa fazer o mesmo. Cansei dos nossos druguis nazes, o zvuk desse grupo é como um toltchok na minha rassudok. Para não ubivatar ninguém, achei por bem ukadetar bem skorre. Sempre serás o mais horrorshow. Não deixe a forela te dominar. Beijos, meu querido drugui, meu lindíssimo brati! Amar-te-ei eternamente.”

O recado me foi entregue agora pouco, Benki está chorando feito uma mongolinha por causa desse imbecil que de repente sumiu da vida de todos. O que ele quer, cara? Ele quer provar o quê? Às vezes esse jeito babaca dele me faz pensar como que, aos doze anos, confiei tanto. A resposta está aí “aos doze anos.” Doze? Treze? Agora nem me lembro... A vida mudou bastante. O recado do sujeito indo embora me atingiu, sim... Mas acho que o sentimento que estou sentindo está meio longe de amizade e compaixão. “Amar-te-ei eternamente.” Ah, mas quanta preguiça tenho desses malditos floreios! À MERDA COM TODOS ELES! Estou vermelho de ódio, vão achar que estou triste pela ida. – Uma hora ele volta, Benki, não se preocupa. – Sim, estou rígido pra caralho. Ani me encara de longe, observa-me inquieta. – Que é? – Pergunto, meio puto. Essa menina é uma louca também. – Nada, Remo. Você que não tá bem. – Como consegui sentir alguma coisa por esse pedaço de insanidade? – Hm. – Jogo o papel no chão e caminho até o banco mais próximo, sentando-me. Está chovendo. Não muito, só um chuvisco... Anteontem choveu bem mais. – Ele não volta tão cedo, Benki... – Ouço a Ani falando, avaliando o bilhete. Os choros desesperados recomeçam, todo o drama benkiniano. – Como você sabe, guria? – Pergunto pra moreninha, que agora deixa uma lágrima escapar, silenciosa. – Já li Laranja Mecânica, não sou uma porta. – Ela se endireita e sai. Imagino que para a Catedral, pegou a mania do Alex, de certo. Maldito Alex... Mas que seja, que seja. Foi-se! Também não quero saber da ‘forela’, aquela outra dá-me arrepios que ainda não sei nomear... Carmina acaba de sentar ao meu lado. – Vamos trabalhar em dobro hoje? – Ela faz isso quando quer esquecer dores fortes. – Vou com você. – Respondo, acariciando seu cabelo longo de homem transformado. Já lhe beijei certa vez... Muito mais doce que muitas mulheres. Carmina é mais mulher que eu sou homem. Meu ódio é a tristeza dela, ela sabe, nem por isso me desgasta. Acendo um cigarro, só posso injetar a noite, estou tentando controlar-me. Pois sim... Adeus meu drugui.

Para quem nunca leu Laranja Mecânica (aliás, leia) e precisa de ajuda para entender o recado:

Brati: irmão;
Chudesni: maravilhoso;
Drugui: amigo;
Forela: otária;
Govoretar: falar;
Horrorshow: ótimo, excelente, legal;
Naz: idiota;
Rassudok: mente, cabeça;
Shilarnia: preocupação;
Shom: bobo;
Skorre: rápido, depressa;
Toltchok: golpe, porrada;
Ubivatar: matar;
Ukadetar: ir embora;
Zvuk: som, ruído.

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