sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Oitavo dia, terceiro mês, ano 2009. – As pequenas duas da manhã.


- Ei, gostosinho... Tá quanto a chupeta? – Aquele eu já tinha visto de longe; torcia para não me escolher, mas nem sempre as coisas são como queremos... Hoje ele veio até mim, e me faz essa pergunta que para muitos seria constrangedora, mas para mim é rotina. – Vinte pra fazer, cinquenta pra receber. – Meu sorriso chapado é só para ele, um sorriso mentiroso... É o meu trabalho, porém. Não posso deixar de fazê-lo por caprichos. – E a levada? – Ele pergunta, aproximando-se, me rondando, avaliando. – A levada fica por noventa... Mercadoria pouco usada. – Ele para de frente para mim, passa uma mão no meu rosto. Agonia. Nojo. Asco. Arrepio-me. – Sim, sim... Você é mesmo uma coisa, não é? – Estamos na área de avaliação, aonde os clientes escolhem. Aqui acontece pouco, a ação mesmo é no carro, costumam apalpar, pedem pra gente endurecer logo... Falam até mesmo de mulher pra ver se nosso pau cresce rápido. Eles odeiam quando têm que falar de mulher, por isso já começo a bater antes... Preciso ficar duro sem eles falarem de mulher, que daí pagam mais. A Carmina me levou hoje mais cedo pra tomar uma cerva antes do trabalho, conversamos sobre os clientes bad-trip. O que está na minha frente agora é um deles... Ela disse que ele gosta de mijo. Não gosto de mijar em ninguém, não faço esse tipo de coisa, fica um cheiro meio fodido, e o cheiro me broxa... Ele se aproxima para me dar um beijo, eu viro o rosto. – Não aqui, tudo dentro do limite, eu já falei. – Ele concorda, apontando seu carro com a cabeça, e nós caminhamos até lá. Só entrar no palio preto e eu já começo a bater de leve, pra ele não implicar. Preciso de um beck; ou um gole de vodka pura, talvez dois. Ele me encara de vez em quando, enquanto dirige. – Tem um pau gostoso, ein? – Eu o olho, sorrindo e tirando o mesmo de dentro da calça. NOJO. ABSOLUTO DESESPERO. Mas preciso da minha droga, e pra minha droga eu preciso do dinheiro. Eu sei que uma hora isso vai acabar... Isso TEM que acabar. Hoje mais cedo Ani pediu que eu não trabalhasse, pelo menos não hoje porque ela queria companhia. O Japa ficou com ela... Eu devia ter dado uns goles na vodka... Volto a pensar em buceta, preciso pra ficar duro. Aquelas gostosinhas, molhadinhas... O carro para. Eu encaro o motorista que agora se aproxima para me beijar. Dessa vez não posso virar o rosto. Asco, aversão, ojeriza... Dor da falta de dignidade. Desprezo por mim mesmo... Desvalorização. Descrença. Um anal. Não quero, mas preciso. Eu me odeio, eu odeio, ele me chupa, lambe... Quero ir embora!! PRECISO IR!! São três anos, não vou me acostumar nunca! Meus olhos lacrimejam, mas seco depressa para não ser notado. Sou uma putinha... Odeio ser uma putinha.

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