Engraçada a garotinha, devia ter seus quinze ou
dezesseis anos, talvez dezessete. Faz tempo que não me importo mais com a idade
das pessoas que me cercam, é tudo gente, né? Tinha belos lábios, tinha sim. Ela
me deu uma patada tão foda que achei melhor sair de perto... “Sei me virar, sai
daqui seu dorme-sujo de merda”. Como se agora ela também não fosse uma ‘dorme-suja’,
mimadinha. Saí mesmo, voltei pro meu abrigo embaixo da BNB e quem foi lá
acolher a novata foi a Carmina, nossa transexual. Nosso grupo tem sete pessoas,
né? Agora oito. A gente mora na rua desde que se fez pensante, um bando de
anarquistas desvairados, e hoje é a noite dos punks no Conic. ‘O Conic tem de
tudo’, dizem. E tem mesmo. Como eu disse, hoje é a noite dos punks no Conic.
Vai tocar um grupo novo, que de certo não fará sucesso e acabará como nós. Mas
é noite de bater cabeça e pular na roda de pogo, bater na rodinha punk. A
música começa em dois minutos, a menininha nova veio com a gente, aquela Ani.
Parece retraída, mas não quis ficar sozinha, o que é racional. Estou fumando
meu baseado de ‘dorme-sujo’ e bebendo minha Natasha roubada. A Benki ainda não
me larga, e agora reclama que se era pra roubar, eu devia ter roubado uma
Absolut, mas não sou tão pretensioso. Essa menina não para de beijar meu
pescoço, já está me irritando, e eu não aguento mais! Ainda bem que a música
começou... Acabei de entregar a garrafa pra ela, o baseado pro Remo e estou
indo pro meio da multidão. Adoro a adrenalina dessa loucura toda, soco e cotovelada
pra tudo quanto é lado, a música gritando liberdade. Isso é felicidade, isso
sim, isso sim.
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