quarta-feira, 16 de maio de 2012

4 de janeiro de 2009 – 03h38min.


Algum filho da puta socou meu olho, tá roxo de não abrir! Não sei se foi na roda punk ou quando chegou a polícia, sei que essa merda está latejando agora que o efeito do álcool está passando. Bebi umas duas garrafas de vodka pura, porque misturar com energético é coisa de mauricinho e aqui a gente luta até nisso. Saímos corridos do Conic, agora estamos no eixão... Meu, foi uma puta confusão mesmo! Os polícia chegaram metendo bala de festim mesmo, tavam nem aí pro cidadão. Ainda tou meio chapado, mas na hora estava louco mesmo de bêbado, fui bater no fardado, não liguei não. Cheguei com o punho fechado na cara do porco, daí ele desceu o cassetete em mim. Quando consegui levantar fugi na correria, só tive tempo pra ver aquela Ani preocupada tentando se esconder. Não tive dúvidas na hora, puxei ela pelo braço e saímos pra onde eu sabia que minha ‘família’ estaria. Foi só a gente se ver que decidimos o destino: eixão norte, a pé. Demorou bem umas duas horas pra chegar lá, mas não tínhamos mesmo nada melhor pra fazer, um bando de punk bêbado chapado... Sem contar que eu senti o Pirraça alucinando na cocaína, isso seria divertido. A menina nova estava mesmo assustada, e com frio. A chuva tava bem forte e a essa hora não passava mais carro, principalmente por ser domingo. Fui dar meu grito de loucura, minha vontade de viver naquele berro eloquente... “POOOOOOOOOOOOOORRAAAAAAAAAAAAAAAA”, correndo como um idiota corre. O olho esquerdo inchado, os amigos caindo na gargalhada. É assim, né? A vida é uma merda! Papo de bêbado? Eu estou bêbado, bêbado pra caralho! Passou um carro, aliás. O cara devia estar mais chapado que a gente, porque deu um cavalo de pau e acelerou pra atropelar o, como ele disse, ‘grupo de desajustados’. Não estou vendo direito, ainda mais nessa chuva, meus pés criaram asas e eu corri pra salvar meu grito de vida. Acabou, acabou, passou. Estamos os oito na grama, rindo, o cara foi embora. Foi mais rápido do que imaginei que seria. Só a Ani está séria, quase chorando. “Oras, relaxe, relaxe”... Eu disse agora me inclinando para beijar-lhe a boca vermelha, e sou empurrado com veemência. Uma garrafa foi quebrada a poucos metros, Benki parece indignada. Ah, mas que porra, estou mesmo muito bêbado, entendendo nada.

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