domingo, 27 de maio de 2012

8 de fevereiro de 2009 – 02h49min.


Estou realmente indignado. Aqueles dois socos do Remo foram completamente desnecessários! Quero dizer, eu não fiz nada de errado, fiz? Minha cabeça está doendo um pouco agora, nunca apanhei sem reagir, nem de um amigo. Eu fiquei sem reação, sabe? Foi por isso. Estou sentado num banquinho aqui, entre o Museu e a BNB, olhando pra rua. De vez em quando passam uns carros ainda, em pleno domingo... Não está chovendo, mas tá tudo molhado por aqui. Acho que todos já foram dormir, amanhã será um dia meio foda pra gente. Ainda temos 160 pila, mas sei lá, eu sei que vai acabar rápido. O dinheiro ficou com a Carmina, que é a mais responsável e nunca perde nada importante. “Oi...” Odeio quando alguém fala comigo do nada. Ani sentou-se ao meu lado, pousando as mãos nos joelhos. Estou puto com ela, estou sim. O que diabos ela tá fazendo aqui? “O que você quer?” Olhar pro nada é melhor nessas horas, consigo me controlar melhor do que se olhasse para ela. Ela não fala nada, mas sinto que ela me observa. Porra, cara, eu odeio isso, sinto um puta incômodo, sabe? Chuto uma pedrinha, olho pro céu, pro lado oposto... Ela não fala porra nenhuma. Está começando a ficar quente, já tirei até a minha jaqueta. É, eu, coisa esquelética, com uma calça toda rasgada de 5 anos de uso e minha camiseta toda furada dos Pistols. A gente compra roupa no Conic, quando a grana vem... Só tenho camiseta de banda, e a maioria tá estragada. Eu sou o típico punk, mesmo mesmo. Por isso olham torto pra mim. Até parece que vou esfaquear alguém na rua. De qualquer forma, ela ainda me encara, e não consigo mais tentar desviar a atenção, agora estou olhando pra ela também. “O que é?” Nada, ela só olha nos meus olhos, parece perdida... Eu estou perdido, estou me perdendo. Olhos castanhos, um pouco duros, mas de alguém que foi bem cuidada. Olhos sem muita dor física, porém com uma grande carga de sofrimento emocional... Sofrimento criado por ela. Ani está mais próxima, eu consigo sentir a respiração dela. Um beijo. Estou em choque, não consigo me mexer. Meus olhos ainda estão arregalados, e as mãos dela estão segurando meu rosto enquanto ela beija minha boca freneticamente. Parece que ela estava querendo isso há tempos. O choque inicial passou e eu a empurrei, estou constrangido, puto da vida, nervoso, enojado, totalmente nas nuvens... O que foi isso? Não sei nem o que sinto direito, só sei que tá errado. “Você é do Remo...” Ela sorriu, levantando-se, essa menina pequena, de cabelos escuros, essa menininha sorriu, no jeito mais sapeca de menina. “Eu sou de quem quero ser, e dentro de mim eu sou sua.” Mas o quê? Qual o problema dessa garota?? Ela está indo agora, indo embora, de volta para os braços do meu melhor amigo, enquanto eu estou aqui, sem entender PORCARIA NENHUMA. Velho, mas que porra?!

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