sexta-feira, 18 de maio de 2012

7 de fevereiro de 2009 – 13h22min.


Hora do almoço! Estou morrendo de fome, quase não me aguento em pé. Já estou puto mesmo, meu estômago está se desdobrando dentro de mim, e ainda vem aquela filha da puta da Benki e acaba com a comida! “Não fode, Benki, além de você me acordar cedo pra caralho com essa baitolagem de carinho, ainda comeu todo o pão!” Eu xingo mesmo, não tou nem aí, ela fechou a cara e foi chorar no colo da Carmina. Aqui tá cheio daqueles skatistas calçando aqueles tênis largos, não entendo esses caras. O Remo tá dizendo que os bichos são cheios da grana, na mochila deve ter algum dinheiro ou sei lá. “Bora roubar, cara... Nem vai dar nada e estamos morrendo de fome, só precisamos descolar um beijinho da doce pecúnia.” Tá certo, tá certo, eles largaram as mochilas embaixo da rampa do Museu, pegar alguma coisa não seria difícil. Estranho que a Ani tá lá, mexendo nas mochilas também. Engraçado vê-la com aquela calça jeans toda rasgada, um coturninho de madame e a camiseta do Dead Kennedys, parece uma criança brincando de ser forte. Ela agora tá correndo pra gente, tirando alguma coisa do bolso. Dinheiro, dinheiro, dinheiro! “Quanto tem aí?” o Remo perguntou, envolvendo o ombro dela com o braço. Hm... Não que eu tenha ciúmes, ela não é nada minha, mas eu tou meio puto, não é hora de demonstração de afeto quando se precisa de comida, né? “Umas cem pila, esses caras dão muito mole.” Agora sim eu sei porque essa garota apareceu! Salvando a gente, ninguém nunca desconfia de uma menininha, né? Roubo feito, agora só correr e comer alguma coisa na rodoviária. Bom que é barato e sobra pra outros dias. Por isso que digo, se o mundo fosse mais igual, se todo mundo vivesse sem essa merda desse dinheiro, não precisaria roubar, nem matar, nem nada... É pura autodisciplina, né? Nego não aprende, a gente tá tentando sobreviver. Isso, é sim, sobreviver. E agora enquanto a gente come, sentados no chão sujo da rodoviária, o Remo tá de gracinha com a Ani, só porque ela fez o trabalho sujo. O pior é que acho que ela está curtindo. “Porra, Benki, me larga!” E ainda mais essa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário