Não sei, não estou me sentindo muito bem. Benki
está aqui me enchendo o saco “Olha ali, o Remo e a Ani estão apaixonados.”
Menina implicante da porra, agora fica me beijando o pescoço, me abraçando,
mordendo minha orelha. “Caralho, me larga!” Eu gosto da Benki e tudo, ela é uma
boa pessoa, mas tem hora também que irrita, cara. Impressionante! Estou sentado
aqui, encostado na parede curva do Museu Nacional, observando os mais novos
pombinhos de longe. Remo e Ani estão correndo na chuva, rindo e se divertindo.
Volta e meia ele a agarra por trás pra dar um beijo nela... Não sei, não sei,
isso é enjoativo. Dá nojo mesmo, sabe? Como alguém pode estar assim, tão feliz,
quando temos que lutar por coisas muito mais importantes? Tipo importantes,
importantes mesmo! Estou puto agora, de verdade. Me larguei da Benki e estou indo até eles, é sim,
não ligo. “Remo!” Dei um soco no braço dele, pra chamar a atenção, ele virou
com tudo e socou meu olho. COMO ASSIM? Que porra foi essa, cara?? “Caralho,
mano, que isso?!” Levantei meio zonzo, não tou entendendo nada mesmo! “Mereceu,
seu viado de merda! Não tira o olho da gente, parece que tá agourando, porra.”
O que ele tá falando, velho? “Ahn? Eu só vim dizer que preciso falar contigo...”
a Ani parece meio assustada, o cabelo todo bagunçado, ela está toda molhada. É
linda, linda mesmo... Não sei, eu já tinha reparado que ela é bonitinha, mas ela
assim, um mês mais vivida, desarrumada, me pareceu realmente linda. De repente
outro soco, agora na boca. “PORRA REMO, TÁ LOUCÃO?” Minha boca tá sangrando,
acho que quebrou um dente, tá doendo pra caralho. Filho da puta, pra que foi
isso? Cambaleei, sem reação. “TIRA O OLHO DELA, OK? DEIXA A GENTE, TÁ? Você não
é feliz porque não quer, mas deixa a gente ser.” O tom de voz dele foi graduando,
cada vez mais baixo e ameaçador... Nunca tinha visto ele assim. Ele a abraçou e
os dois foram para o lado oposto, caminhando meio alterados... Conheço o Remo,
ele não é assim, deve ter bebido demais. Sim, sim, quando bebe ele fica muito
extremista, deve ter sido isso. Ani virou agora, está me olhando com uma
expressão de quem pede desculpas. Eu não a desculpo, não mesmo, ela pode até ter ajudado a gente hoje, mas está
causando o caos e não é de hoje.
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